Editorial Nº 2

No dia 5 de junho é comemorado internacionalmente o Dia Mundial do Meio Ambiente. Nesta edição iniciamos a contribuição do Acauã ao debate e aprofundamento de divulgação científica sobre o tema do Meio Ambiente, que deve ser continuado nas próximas edições do ano de 2021.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi assim determinado por ter sido no dia 5 de junho de 1972 o início da primeira grande Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre problemas ambientais e a necessidade de cooperação internacional para preservação dos recursos naturais do planeta. Conhecida também como Conferência de Estocolmo, esta foi a inspiração da criação, pela ONU, de um dia comemorativo oficial do Meio Ambiente.

Em 2021 foi lançada a Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas (2021-2030), em que a “tripla ameaça ambiental”, incluindo perda de biodiversidade, disrupção climática e poluição crescente são destacadas, e a meta de restauração é lançada como um empreendimento global.

A crise pandêmica da COVID-19, apesar de impactar no bem-estar humano e social, com perdas de vidas e aumento de doenças mentais; na economia, com perdas de produção e emprego; e na vida civil, com distanciamento de famílias, amigos, condições de experiências sociais e culturais, evidenciou o quanto as nações são conectadas.

Em entrevista ao Acauã, o Professor Carlos Milani apresenta o Observatório Interdisciplinar de Mudanças Climáticas (OIMC) (http://obsinterclima.eco.br/) que, sob sua coordenação, tem buscado uma inserção nacional e internacional no debate sobre Mudanças Climáticas e pesquisas associadas que privilegiam a interdisciplinaridade do tema. Carlos Milani é um pesquisador sênior, professor associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e atualmente vice-diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP).

Em ano de Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), que ocorrerá em Glasgow, entre 1-12 de novembro de 2021, o Acauã reforça a importância para o encaminhamento de avanços futuros sobre sustentabilidade e desenvolvimento regenerativo. Uma contribuição para o mapeamento da relação entre a crise pandêmica da COVID-19 e a priorização de uma visão global do Meio Ambiente, da coordenação e da governança global para a solução de crises não localizadas pode ser aferida ao artigo The Politcs of the Green New Deal, publicado em uma das Revistas mais importantes de Ciência Política no Mundo, a The Political Quarterly (vol. 91, n.4, September 2020).

O artigo é de autoria de Jon Bloomfield, honorary Research Fellow na Universidade de Birmingham, em coautoria com o Professor Fred Steward da Universidade de Westminster, de Londres, ambos especialistas no tema das mudanças climáticas, e se encontra disponível no ResearchGate (The Politics of The Green New Deal).

Bloomfield e Steward trazem no seu artigo um histórico e um balanço sobre o encaminhamento do debate internacional a respeito da cooperação internacional, em suas diferentes etapas, na orientação do estabelecimento de um entendimento comum e encaminhamento de políticas 

 que levaram a posicionamentos e comprometimentos de países, especialmente europeus, com a transição da economia que associa produção com poluição para uma economia verde, circular e neutra. Traz um panorama do tratamento do tema do Meio Ambiente que nos falta compreender e considerar enquanto tema transversal a agendas de pesquisa no campo das relações internacionais em cenários futuros.

Os autores recuperam as eleições europeias de 2019 e o lançamento do Green Deal europeu pela Comissão Europeia sob a presidência de Jean-Claude Juncker, lançado em dezembro de 2019. Aquele foi um momento de movimentos populares e escolhas eleitorais por partidos verdes e lideres políticos comprometidos com agendas climáticas na Europa, culminando com o lançamento de um compromisso ousado de transição da economia do continente europeu para uma economia neutra até 2050. Por alguns chamada de uma nova “revolução verde”, o clima, a biodiversidade e a poluição passaram a ocupar agendas de ativistas e lideranças políticas que cobram uma mudança do modelo econômico diante das mudanças climáticas. No início de 2020, após a onda verde identificada nas eleições europeias, a crise pandêmica dominou todas as esferas de preocupação sanitária, social, econômica e política.

O argumento do artigo é que a pandemia do COVID-19 serviu como um “combustível ao foguete” para o lançamento do programa de recuperação econômica, por evidenciar a relação frágil da humanidade com o planeta. Reforçam a consideração da relação entre responsabilidade ambiental e democracia, e da pandemia com o enfrentamento da crise ambiental. Mais do que ser uma novidade, a relevância do mapeamento do cenário de mudanças de forma didática pelos autores, nos permite conhecer detalhes históricos e políticos relevantes a respeito do desenvolvimento do entendimento sobre a urgência de medidas sobre a crise climática da Terra. Bloomfield e Steward corroboram para uma reflexão de leigos e experts sobre a formação das visões de políticas públicas e do direito internacional público, passando pelo fortalecimento de partidos verdes, do Acordo de Paris, até a agenda de transição verde e digital da Comissão Europeia e a crise pandêmica de 2020. Provocam a visão de um mapa de possibilidades e desdobramentos futuros.

O artigo passeia por uma linguagem fácil, uma história bem contada e informativa sobre o tratamento internacional do tema do Meio Ambiente, relações entre atores relevantes, posicionamentos políticos e impasses. Os autores mencionam uma “revolução industrial verde” pós-pandemia e o potencial de um mix de inovações sociais e revolução digital para a transformação que deve se dar no dia-a-dia das sociedades e da política para que se reconfigurem aspirações por um lado, e avanços por outro.

Apesar do abismo entre discursos europeus e norte-americanos, Bloomfield e Steward destacam pilares semelhantes das políticas de enfrentamento da nova arquitetura de negócios e produção verde. Mesmo com tradições independentes, as duas potências, a europeia e a norte-americana, se comprometem a reconfigurar suas políticas ambientais, fiscais e industriais. Não seria esse o momento de qualquer cidadão compreender o que significam os compromissos de transição econômica para uma produção sem poluição e com regeneração?

Um mundo pós-COVID é visto como uma oportunidade para o aumento da visibilidade e transparência nos comprometimentos com políticas ambientais. Há desafios e dúvidas quanto a posicionamentos de países individualmente, mas os compromissos de atores relevantes como a União Europeia e os Estados Unidos com o EU Green Deal e o US Green New Deal, trazem uma larga escala de programas de investimentos na transição verde, assim como o Reino Unido tem a oportunidade, na COP26, de reviver seu alinhamento com metas europeias para a governança global. Ainda neste cenário, resta aguardar a participação da sociedade civil e a capacidade dos partidos políticos, mesmo os que não tenham o tema do Meio Ambiente como foco central, em aproveitarem a oportunidade de uma renovação da perspectiva da relação entre democracia, sociedade e Meio Ambiente. É sobre tudo isso o artigo que o Acauã dá destaque neste editorial, esperando uma boa leitura, além da informativa e instigante entrevista de Carlos Milani.

No dia 5 de junho é comemorado internacionalmente o Dia Mundial do Meio Ambiente. Nesta edição iniciamos a contribuição do Acauã ao debate e aprofundamento de divulgação científica sobre o tema do Meio Ambiente, que deve ser continuado nas próximas edições do ano de 2021.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi assim determinado por ter sido no dia 5 de junho de 1972 o início da primeira grande Conferência das Nações Unidas (ONU) sobre problemas ambientais e a necessidade de cooperação internacional para preservação dos recursos naturais do planeta. Conhecida também como Conferência de Estocolmo, esta foi a inspiração da criação, pela ONU, de um dia comemorativo oficial do Meio Ambiente.

Em 2021 foi lançada a Década das Nações Unidas para a Restauração dos Ecossistemas (2021-2030), em que a “tripla ameaça ambiental”, incluindo perda de biodiversidade, disrupção climática e poluição crescente são destacadas, e a meta de restauração é lançada como um empreendimento global.

A crise pandêmica da COVID-19, apesar de impactar no bem-estar humano e social, com perdas de vidas e aumento de doenças mentais; na economia, com perdas de produção e emprego; e na vida civil, com distanciamento de famílias, amigos, condições de experiências sociais e culturais, evidenciou o quanto as nações são conectadas.

Em entrevista ao Acauã, o Professor Carlos Milani apresenta o Observatório Interdisciplinar de Mudanças Climáticas (OIMC) (http://obsinterclima.eco.br/) que, sob sua coordenação, tem buscado uma inserção nacional e internacional no debate sobre Mudanças Climáticas e pesquisas associadas que privilegiam a interdisciplinaridade do tema. Carlos Milani é um pesquisador sênior, professor associado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e atualmente vice-diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP).

Em ano de Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), que ocorrerá em Glasgow, entre 1-12 de novembro de 2021, o Acauã reforça a importância para o encaminhamento de avanços futuros sobre sustentabilidade e desenvolvimento regenerativo. Uma contribuição para o mapeamento da relação entre a crise pandêmica da COVID-19 e a priorização de uma visão global do Meio Ambiente, da coordenação e da governança global para a solução de crises não localizadas pode ser aferida ao artigo The Politcs of the Green New Deal, publicado em uma das Revistas mais importantes de Ciência Política no Mundo, a The Political Quarterly (vol. 91, n.4, September 2020).

O artigo é de autoria de Jon Bloomfield, honorary Research Fellow na Universidade de Birmingham, em coautoria com o Professor Fred Steward da Universidade de Westminster, de Londres, ambos especialistas no tema das mudanças climáticas, e se encontra disponível no ResearchGate (The Politics of he Green New Deal).

Bloomfield e Steward trazem no seu artigo um histórico e um balanço sobre o encaminhamento do debate internacional a respeito da cooperação internacional, em suas diferentes etapas, na orientação do estabelecimento de um entendimento comum e encaminhamento de políticas que levaram a posicionamentos e comprometimentos de países, especialmente europeus, com a transição da economia que associa produção com poluição para uma economia verde, circular e neutra. Traz um panorama do tratamento do tema do Meio Ambiente que nos falta compreender e considerar enquanto tema transversal a agendas de pesquisa no campo das relações internacionais em cenários futuros.

Os autores recuperam as eleições europeias de 2019 e o lançamento do Green Deal europeu pela Comissão Europeia sob a presidência de Jean-Claude Juncker, lançado em dezembro de 2019. Aquele foi um momento de movimentos populares e escolhas eleitorais por partidos verdes e lideres políticos comprometidos com agendas climáticas na Europa, culminando com o lançamento de um compromisso ousado de transição da economia do continente europeu para uma economia neutra até 2050. Por alguns chamada de uma nova “revolução verde”, o clima, a biodiversidade e a poluição passaram a ocupar agendas de ativistas e lideranças políticas que cobram uma mudança do modelo econômico diante das mudanças climáticas. No início de 2020, após a onda verde identificada nas eleições europeias, a crise pandêmica dominou todas as esferas de preocupação sanitária, social, econômica e política.

O argumento do artigo é que a pandemia do COVID-19 serviu como um “combustível ao foguete” para o lançamento do programa de recuperação econômica, por evidenciar a relação frágil da humanidade com o planeta. Reforçam a consideração da relação entre responsabilidade ambiental e democracia, e da pandemia com o enfrentamento da crise ambiental. Mais do que ser uma novidade, a relevância do mapeamento do cenário de mudanças de forma didática pelos autores, nos permite conhecer detalhes históricos e políticos relevantes a respeito do desenvolvimento do entendimento sobre a urgência de medidas sobre a crise climática da Terra. Bloomfield e Steward corroboram para uma reflexão de leigos e experts sobre a formação das visões de políticas públicas e do direito internacional público, passando pelo fortalecimento de partidos verdes, do Acordo de Paris, até a agenda de transição verde e digital da Comissão Europeia e a crise pandêmica de 2020. Provocam a visão de um mapa de possibilidades e desdobramentos futuros.

O artigo passeia por uma linguagem fácil, uma história bem contada e informativa sobre o tratamento internacional do tema do Meio Ambiente, relações entre atores relevantes, posicionamentos políticos e impasses. Os autores mencionam uma “revolução industrial verde” pós-pandemia e o potencial de um mix de inovações sociais e revolução digital para a transformação que deve se dar no dia-a-dia das sociedades e da política para que se reconfigurem aspirações por um lado, e avanços por outro.

Apesar do abismo entre discursos europeus e norte-americanos, Bloomfield e Steward destacam pilares semelhantes das políticas de enfrentamento da nova arquitetura de negócios e produção verde. Mesmo com tradições independentes, as duas potências, a europeia e a norte-americana, se comprometem a reconfigurar suas políticas ambientais, fiscais e industriais. Não seria esse o momento de qualquer cidadão compreender o que significam os compromissos de transição econômica para uma produção sem poluição e com regeneração?

Um mundo pós-COVID é visto como uma oportunidade para o aumento da visibilidade e transparência nos comprometimentos com políticas ambientais. Há desafios e dúvidas quanto a posicionamentos de países individualmente, mas os compromissos de atores relevantes como a União Europeia e os Estados Unidos com o EU Green Deal e o US Green New Deal, trazem uma larga escala de programas de investimentos na transição verde, assim como o Reino Unido tem a oportunidade, na COP26, de reviver seu alinhamento com metas europeias para a governança global. Ainda neste cenário, resta aguardar a participação da sociedade civil e a capacidade dos partidos políticos, mesmo os que não tenham o tema do Meio Ambiente como foco central, em aproveitarem a oportunidade de uma renovação da perspectiva da relação entre democracia, sociedade e Meio Ambiente. É sobre tudo isso o artigo que o Acauã dá destaque neste editorial, esperando uma boa leitura, além da informativa e instigante entrevista de Carlos Milani.

Ana Paula Tostes

Ana Paula Tostes